sábado, 19 de fevereiro de 2011

Começar pelo fim

Enfim ele pensa ser um empresário mas a única empresa que tem é uma casa velha com vidas sem escolha lá dentro, mas é bom que ele sonhe pelo menos sempre dá algum uso ao pequeno músculo dentro do seu crânio. Larguei uma gargalhada e recostei-me na cama húmida devido ao tempo exterior que conseguia infiltrar-se pelas pequenas brechas na parede, caí num pensamento profundo sobre o Luís e sobre a pulseira, "O que quererá ele de mim?", "Será que volta?", "Será esta a minha hipótese de voltar a viver e libertar-me desta podridão?" ao pensar em cada uma destas questões mais surgiam.
Pensamentos interrompidos pelo típico tilintar exterior que me faz dirigir à porta e voltar a baixar o olhar. Para mim não tem qualquer significado nunca me fez tremer por bons motivos. Enquanto o faço aproveito para rever parte da minha suposta vida.
Nunca fiz mais nada sempre aqui estive fechada, desde os meus 16 anos que não ponho um pé na rua, cruel não?
Mas cada um sobrevive como pode, esta pode não ser a mais correcta mas foi a que me fez chegar aos 21 sem fome. Nunca conheci o meu pai, a minha mãe era alcoólica embora trabalhasse gastava metade em bebida, sozinha só tive uma saída.
Não consegui o que procurava, dinheiro, mas acabei por trocar as necessidades materiais pelas necessidades físicas, agora dou muito mais valor a comida e a um tecto do que ao dinheiro que julgava sustento quando era apenas uma ingénua rapariga de 16 anos.

Novamente o nascer de um novo dia, a luz atravessa a pequena janela embaciada e faz-me despertar. 

Sem comentários:

Enviar um comentário